Quem se instalar no Palácio sem pretender assumir o mergulho marisqueiro,
poderá ainda assim desfrutar do gosto que há na casa pela cozinha portuguesa
– de umas possantes favas à portuguesa a um arroz de tamboril preparado
para se sentir o mais feio e um dos mais saborosos dos peixes comestíveis, a
lista alarga-se em múltiplas direcções.
Se a via escolhida for a do petisco, a exigir mais tempo e companhia para ir
aguentando a conversa, fique a saber que essa é uma via também legitimada
pelas mãos sábias que aqui vão servindo com prazer, das proverbiais moelas
à saladinha de polvo, da salada de búzios a uns túbaros fritos que deixo a
quem for apreciador do pedaço, não parece que aqui se sinta qualquer margem
de erro. Numa época em que o espaço do petisco parece reduzido, até pela
componente dos costumes apetece frequentar este palácio em que tudo é
tratado com nobreza.
- João Gobern
- “in” Diàrio Económico
- Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005